Sábado, Abril 16, 2005

[Notícia] Imobiliária aceita alterar projecto da sede do BPN

Jornal PÚBLICO . Cultura . 16/4/2005

Autarquia cede novo terreno
Casa da Música: Imobiliária aceita alterar projecto da sede do BPN
por Nuno Corvacho

Adicais promete garantir "canal de vistas" para o auditório; acordo foi conseguido na Câmara do Porto na presença dos arquitectos Rem Koolhaas e Ginestal Machado

A Adicais aceitou alterar o seu projecto de urbanização para as imediações da Casa da Música (CdM). A solução foi ontem alcançada numa reunião que juntou nos Paços do Concelho do Porto os dois arquitectos projectistas envolvidos - Rem Koolhaas, autor do equipamento cultural ontem oficialmente inaugurado pelo Presidente da República (ver caixa), e Ginestal Machado, contratado pela Adicais para conceber o polémico edifício que há-de albergar a sede do Banco Português de Negócios -, o presidente da Adicais, Rui Costa, e o presidente da autarquia, Rui Rio.
No encontro ficou assente que a câmara irá disponibilizar à Adicais um segundo lote de terreno contíguo à parcela que já era propriedade sua (ambos os terrenos constam do mesmo alvará de loteamento) e para onde estava prevista a implantação do referido edifício, de fachada envidraçada e com uma área de 13.500 metros quadrados. Recorde-se que a cedência deste terreno por parte da câmara era vista como uma possibilidade, no intuito de compensar a dívida de 13,7 milhões de euros da autarquia à Adicais pelo atraso na entrega dos lotes para construção.
O facto de a imobiliária vir a ter, afinal, na sua posse dois terrenos em vez de um vai permitir mexer consideravelmente no projecto de urbanização. Isso mesmo foi admitido ao PÚBLICO pelo arquitecto Ginestal Machado: "Havendo mais um terreno, será necessário elaborar um novo projecto". E com essa área acrescida, será então possível garantir, de acordo com uma fonte da Câmara do Porto, o "canal de vistas para o auditório da CdM".
Assim, quem estiver no edifício de Rem Koolhaas e for à janela virada a poente, em princípio já não deparará com uma parede envidraçada mas com uma panorâmica de largo horizonte. Se isto se conseguirá "doseando" a construção, diminuindo a altura do imóvel ou abrindo no vidro o tal "janelão" com vista para o mar, é algo que Ginestal Machado não quer, para já, adiantar, dado que, alega, a solução urbanística carece ainda de ser amadurecida. Mas vai dizendo que o "canal de vistas não implica baixar as cotas do edifício"; e, quanto às vistas de mar, refere que "só com binóculos" e mesmo assim alguns edifícios altos teriam de sair do caminho...

Unanimidade de posições

Ginestal Machado considerou que o encontro de ontem na Câmara do Porto correu bem, houve unanimidade de posições ("ninguém foi obrigado a nada", frisou) e disse estar convicto de que, no período de negociações que agora se abre, "será possível encontrar um consenso que satisfaça as pretensões da autarquia".
Seja como for, a CdM não se livrará de ter construção à sua ilharga. Esse é um dado adquirido e que parece ser pacífico. O próprio Rem Koolhaas concebeu o edifício nesse pressuposto, tendo reiterado isso mesmo durante a reunião nos paços do concelho, na qual se assentou que uma envolvente edificada seria benéfica para o enquadramento da CdM; mais: segundo um comunicado da câmara, o arquitecto holandês reafirmou que, ao idealizar a CdM, sabia que eram aqueles os projectos que estavam previstos para a envolvente, e disponibilizou-se para colaborar ele próprio na procura de uma nova solução urbanística, em conjunto com a Adicais e a Câmara do Porto.
Refira-se, finalmente, que o lote que a câmara se prepara para ceder à Adicais chegou a estar destinado para acolher o novo edifício do Conservatório de Música do Porto. Com o negócio que agora se vislumbra, ficará definitivamente comprometida a pretensão do conservatório de ter as suas novas instalações a dois passos daquele que será o santuário de todos os melómanos. Em declarações ao PÚBLICO, Isabel Rocha, presidente do conselho directivo do conservatório, mostrou-se conformada com a situação, até porque a Direcção Regional de Educação do Norte já tinha concluído que o terreno agora cedido à Adicais não tinha área suficiente para lá ser implantada a nova escola de música. Com a hipótese de aproveitamento das instalações da Escola Secundária de Carolina Michaëlis cada vez menos certa, a docente sugere como alternativa o terreno onde está o antigo e desactivado Colégio Lusitano, na Avenida de França, que teria ainda a vantagem de ser muito perto da CdM.

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